Chama-se genericamente modernismo (ou movimento modernista) o conjunto de movimentos culturais, escolas e estilos que permearam as artes e o design da primeira metade do século XX. Apesar de ser possível encontrar pontos de convergência entre os vários movimentos, eles em geral se diferenciam e até mesmo se antagonizam. Encaixam-se nesta classificação a literatura, a arquitetura, design, pintura, escultura, teatro e a música moderna.
Modernismo em Portugal
O inicio do modernismo em Portugal ocorreu num momento em que o panorama mundial estava muito conturbado. Além da Revolução Russa, de 1917, no ano de 1914 eclodiu a I Guerra Mundial. Em Portugal este período foi difícil, porque, coma guerra, estava em jogo às colônias africanas que eram cobiçadas pelas grandes potencias desde o final do século XIX. Para, além disto, em 1911, foi eleito o primeiro presidente da Republica.
O marco inicial do Modernismo em Portugal foi a publicação da revista Orpheu, em 1915, influenciada pelas grandes correntes estéticas européias, como o Futurismo, o Expressionismo, etc. reunindo Fernando Pessoa, Mario de Sá Carneiro e Almada Negreiros, entre outros.
Modernismo no Brasil (1922 a 1930)
O modernismo teve inicio em meio à fortalecida economia do café e suas oligarquias rurais. A política do “café-com-leite” ditava o cenário econômico, ilustrado pelo eixo São Paulo – Minas Gerais. Contudo, a industrialização chegava ao Brasil em conseqüência da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e ocasionou o processo de urbanização e surgimento da burguesia.
O Modernismo tem seu marco inicial com a realização da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. O grupo de artistas formados por pintores, músicos e escritores pretendia trazer as influências das vanguardas européias à cultura brasileira. Estas correntes européias expunham na literatura as reflexões dos artistas sobre a realidade social e política vivida. Por este motivo, o movimento artístico “Semana da Arte Moderna” quis trazer a reflexão sobre a realidade brasileira sócio-política do inicio do século XX.
Alguns dos principais escritores modernistas brasileiros são:
Mario de Andrade
A sua segunda obra, Pauliceia desvairada, colocou-o entre os pioneiros do movimento modernista no Brasil, culminando, em 1922, como uma das figuras mais proeminentes da histórica Semana de Arte Moderna. Alguns dos seus livros de poesia mais conhecidos são: Losango cáqui, Clã do jabuti, Remate de males, Poesias e Lira paulistana.
Oswaldo de Andrade
Poeta, romancista e dramaturgo. Além dos manifestos da Poesia Pau-Brasil (1924); Manifesto Antropófago (1928), escreveu: Pau-Brasil (1925); Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927); Cântico dos cânticos para flauta e violão (1945); Ô escaravelho de ouro (1945), Memórias sentimentais de João Miramar (1924); Serafim Ponte Grande (1933); Marco Zero -a revolução Os condenados (trilogia) (1922-34); melancólica (1943)....
Cassiano Ricardo
Representante do modernismo de tendências nacionalistas esteve associado aos grupos Verde-Amarelo da Anta, foi o fundador do grupo da Bandeira, reação de cunho social-democrata a estes grupos, tendo, sua obra se transformado até o final, evoluindo formalmente de acordo com as novas tendências dos anos de 1950 e tendo participação no movimento da poesia concreta.
Alcântara machado
foi um jornalista, político e escritor brasileiro. Apesar de não ter participado da Semana de 1922, Alcântara Machado escreveu diversos contos e crônicas modernistas, além de um romance inacabado.
Manuel bandeira
Foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Escreveu poesias como A Cinza das Horas (1917), Carnaval (1919), Os Sapos (1922), O Ritmo Dissoluto (1924), Libertinagem (1930), Estrela da Manhã (1936), Lira dos Cinquent'anos (1940), Belo (1948)...
Características
- Busca do moderno, original e polêmico
- Nacionalismo em suas múltiplas facetas
- Volta às origens e valorização do índio verdadeiramente brasileiro
- “língua brasileira” - falada pelo povo nas ruas
- Paródias - tentativa de repensar a história e a literatura brasileiras
- Nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas.
- Nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita.
Artistas
Alguns marcos são, a música de Arnold Schoenberg, as experiências pictóricas de Kandinsky que culminariam na fundação do grupo Der blaue Reiter em Munique e o advento do cubismo através do trabalho de Picasso e Georges Braque em 1908 e dos manifestos de Guillaume Apollinaire, além, é claro, do Expressionismo inspirado em Van Gogh e do Futurismo.
Bastante influentes nesta onda de modernidade estavam as teorias de Freud, o qual argumentava que a mente tinha uma estrutura básica e fundamental, e que a experiência subjetiva era baseada na relação entre as partes da mente. Toda a realidade subjetiva era baseada, de acordo com as idéias freudianas, na representação de instintos e reações básicas, através dos quais o mundo exterior era percebido. Isto representou uma ruptura com o passado, quando se acreditava que a realidade externa e absoluta poderia impressionar ela própria o indivíduo, como dizia, por exemplo, a doutrina da tabula rasa de John Locke.
Poesias e Poemas
Estrela da Manhã
Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã
Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda parte
Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã
Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha e falsário
Virgem mal-sexuada
Atribulada dos aflitos
Girafas de duas cabeças
Pecai por todos pecai por todos
Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras
Com os gregos e os troianos
Com o padre e o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto
Depois comigo
Te esperei com maluás novenas cavalhadas comerei terra e direi
Coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degredada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã
(Manuel Bandeira)
Irene no Céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagine Irene entrando no céu:
_ Fiança, meu branco!
E São Pedro bonachão:
_ Entra Irene. Você não precisa pedir licença.
_ Fiança, meu branco!
E São Pedro bonachão:
_ Entra Irene. Você não precisa pedir licença.
(Manuel Bandeira)
Desapego
A vida vai depressa e devagar
Mas a todo momento
penso que posso acabar
Mas a todo momento
penso que posso acabar
Porque o bem da vida seria ter
mesmo no sofrimento
gosto de prazer.
mesmo no sofrimento
gosto de prazer.
Já nem tenho vontade de falar
senão com árvores, vento,
estrelas, e águas do mar.
senão com árvores, vento,
estrelas, e águas do mar.
E isso pela certeza de saber
que nem ouvem o meu lamento
nem me podem responder.
que nem ouvem o meu lamento
nem me podem responder.
Cecília Meireles
Soneto da fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes









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